A história da Seringueira no Brasil

Descoberta no século XVIII, a seringueira é conhecida mundialmente e é a fonte principal para a produção de borrachas naturais, além de ser a melhor opção para a produção desse material, visto que não há substituto sintético à altura da qualidade da borracha produzida com a seiva da seringueira.

Também conhecida pelo nome científico Hevea brasiliensis, a árvore é originária da região amazônica e está presente não só no Brasil, mas também em outros países da América Latina, como Bolívia, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Guianas e Suriname.

Charles Goodyear criou a fusão do látex com enxofre (vulcanização) e possibilitou que a borracha natural se tornasse uma ferramenta econômica tão importante, levando o material ao uso em larga escala, em solas de sapato e pneus, por exemplo.

No período entre 1870 e 1920, a seringueira era a segunda maior fonte de exportações do Brasil, perdendo apenas para o café. Acredita-se que o nome seringueira veio da forma como o látex é extraído da árvore, como uma seringa que extrai o líquido de sua casca.

Por volta de 1876, o ciclo da borracha no Brasil estagnou. 70 mil mudas de seringueira foram levadas para Inglaterra pelo botânico inglês Henry Wickman, além de mais 2 mil para a Malásia, região que hoje tem produção maior e mais desenvolvida da seringueira do que o próprio Brasil.

Atualmente, a maior parte da sua produção para comércio está concentrada no sudeste asiático, em países como Malásia, Tailândia e Indonésia. Já no Brasil, a produção mais significativa se encontra nos estados da Bahia e do Paraná. O sucesso no desenvolvimento tão grande da seringueira no sudeste da Ásia também se deu pelo fato de que o principal fungo que dava nas folhas da árvore na região Amazônica não se desenvolveu naquela região, permitindo então um plantio mais saudável e muito mais rentável.

Segundo o IAC, Instituto Agronômico de Campinas, no ano de 2012, o Brasil foi responsável pela produção de apenas 1,5% do total da produção de borracha natural no mundo inteiro. O restante da demanda de borracha no país é compensado com importações, visto que o produto é usado na fabricação de cerca de 30 mil itens.

Nas décadas de 70 e 80, o Brasil até tentou recuperar a força mundial na produção de látex, com investimentos altos para facilitar e tornar possível a retomada da produção na região Amazônica. Infelizmente, no cenário atual, o cultivo da seringueira tem ficado cada vez mais de lado, deixando ainda mais espaço para os países do sudeste asiático dominarem ainda mais esse mercado. Para um país que descobriu o uso da seringueira para extração do látex, é lastimável que essa cultura tenha sido abandonada dessa forma.

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